Filosofia Contemporânea

CONHECIMENTO E FÉ: Pressupostos para uma Existência Autêntica em Sören Aabye Kierkegaard (1813-1855)

  • Autor(es): RABELO Fernando Felix; DIAS José Francisco de Assis;
  • Ano: 2016
  • ISBN: 978-85-92670-19-1
  • Edição: 1
  • Páginas: 118
  • Sumário: Download
Gratuito

Sinopse

Nas frases que se seguem, buscaremos apresentar sucintamente o conteúdo, os objetivos, a importância e o método de nossa pesquisa a fim de fornecer elementos para uma boa leitura e uma melhor compreensão acerca do tema proposto. Sabemos que a busca pelo sentido da vida sempre foi um dos maiores anseios da humanidade pelo fato de que o existir é algo grandioso demais para ser desperdiçado. Também foi e é um fator importantíssimo para o conhecimento de nós mesmos e de tudo que nos cerca, pois nos impulsiona para uma maior compreensão da realidade em que vivemos. É, sobretudo, a partir dessas afirmações que nos propusemos a discutir o existencialismo de Kierkegaard.
Ao retomarmos a história da filosofia, vemos claramente que, embora houvessem paradigmas diferentes e pontos de partidas diversos para compreensão da realidade, um fato é comum a todos, que é a tentativa de compreender o ser do homem no mundo, seja partindo de uma visão cosmocêntrica, seja teocêntrica ou, até mesmo, antropocêntrica; todas e cada uma em particular, cultiva esse desejo de não apenas compreender, mas dar um sentido para à vida.
Não diferente acontece nos dias de hoje, onde a chamada pós-modernidade oferece uma série de atrativos para o homem que facilmente se distancia de seu projeto inicial de vida, contudo, a sede e o desejo de uma vida autêntica permanecem, pois constitui um elemento natural da existência.
Questões sobre o porquê vivemos, para que vivemos, de onde viemos e para onde vamos estão sempre presentes na vida de todos, até mesmo daqueles ditos do senso comum. Imbuídos por esses questionamentos, nos propusemos a realizar essa pesquisa cujo objetivo principal é desvelar o que confere sentido e autenticidade ao existir humano, isto é, compreender de que modo o homem pode atingir uma existência autêntica.
Para isso, servimo-nos de um pensador que teve sua vida marcada pela busca incessante do fim para o qual existimos. Soren Kierkegaard, dinamarquês, contemporâneo do século XIX, experimentou as angústias da vida e soube empreender com maestria a difícil tarefa do existir, renunciando a tudo aquilo que é supérfluo e focando no essencial, sendo também ele um modelo para todos os que almejam esse ideal.
O presente trabalho está estruturado em três capítulos. No primeiro, cujo título é Visão Geral da Vida e Pensamento de Kierkegaard, deter-nos-emos nos aspectos mais significativos de sua vida e seu contexto, que constituem o berço do seu pensamento, destacando fatos e pessoas que travaram contato direto e indireto com nosso autor e que contribuíram para sua produção intelectual, como por exemplo, seu pai Michael Pedersen que deixou marcas profundas na sua personalidade, sobretudo, imprimindo uma característica melancólica que perdurou durante toda a vida de Kierkegaard. Marcado pela ideia de que fora amaldiçoado por Deus em virtude de suas ações, Michael sempre expressou um comportamento tristonho, resultado de uma religiosidade sombria que desde a infância pesava sobre ele e que a transmitiu como herança ao filho.
Também Regina Olsen exerceu um papel significativo na vida e no pensamento de nosso autor. Jovem pela qual Kierkegaard se apaixonou e que marcaria para sempre sua existência e sua obra literária, mas que devido as suas convicções nunca permitiu que esse sentimento o distanciasse de seu objetivo, que consistia em mostrar que a vida autêntica é aquela em que o Indivíduo transcende a tudo que pertence à esfera finita, inclusive à tranquilidade e estabilidade de uma vida a dois. O próprio autor revela que toda a sua obra se resume na tentativa de compreender o motivo pelo qual ele deixou Regina e que todos os seus escritos foram dedicados a ela como leitora ideal.
Após apontar para essas duas personagens que foram predominantes na vida do filósofo, discorreremos, mesmo que em síntese, acerca de alguns acontecimentos históricos que marcaram o contexto filosófico do autor, destacando o cenário político de crise da Dinamarca, acenando para os principais escritores que se tornaram famosos no mundo todo; e por fim, apontando para as tendências culturais da época, que por sua vez, recebera grande influência da Alemanha.
Feito isso, buscaremos apresentar o que de mais significativo aconteceu em esfera mundial e que não poderia deixar de ser lembrado devido ao seu grau de importância, como por exemplo, as grandes transformações, rompimentos e revoluções que ocorreram a partir dos ideais de Marx, expressos sobretudo, no Manifesto do partido comunista e que se propagou pelo mundo todo.
Questões relacionadas à religiosidade, ao protestantismo e às instituições religiosas também serão abordadas nesse primeiro capítulo, pois o pensamento filosófico de Kierkegaard está imerso no contexto religioso de seu tempo, constituindo assim chave de compreensão de toda a sua filosofia.
Para concluir, traremos ao leitor uma relação das mais importantes obras de Kierkegaard, com destaque para as que foram traduzidas para o português, acompanhadas de breves comentários contendo dados da obra, conteúdo e contexto em que foram escritas. Em seguida abordaremos os conflitos religiosos aos quais o autor foi submetido e suas lutas em favor de um cristianismo que não se distancie de seu projeto inicial.
No segundo capítulo, intitulado Kierkegaard e o Existencialismo, a proposta será apresentar no que consiste essa corrente filosófica que tem como precursor o próprio Kierkegaard; em seguida nos deteremos em abordar os principais aspectos em que divergem o pensamento de Hegel e do autor em apreço, enfatizando a luta travada pelo mesmo em defesa do Indivíduo e contra a ideia de um sistema que abarque toda a realidade.
E para encerrar esse segundo momento de nosso trabalho, abordaremos os três estádios da existência: o estádio estético, o ético e o religioso, pois é a partir deles que teremos condições de adentrar o tema de nosso terceiro capítulo que tratará especificamente da fé como elemento constitutivo de uma existência autêntica.
No primeiro estádio, portanto o estético, veremos um indivíduo descomprometido consigo e com o mundo que o cerca, não se preocupa com assumir responsabilidades, fazer escolhas e tampouco em refletir sobre sua existência. Diferente do ético que busca na estabilidade da vida matrimonial, por exemplo, constituir sua existência, fazendo opções e refletindo acerca do sentido da vida. Contudo, é no estádio religioso que o existente se realiza, pois é a partir dele que se pode falar em existência autêntica, que se dá, justamente, no encontro do indivíduo com a singularidade de Deus, onde não há espaço para máscaras, personagens e fingimentos, onde o Indivíduo se coloca enquanto tal diante de Deus e se propõe a cumprir unicamente o que ele determina. Nisso consiste, portanto, a autenticidade da vida finita e que será tema do terceiro capítulo.
Como já acenamos anteriormente, é no terceiro capítulo que nos ocuparemos do problema da fé. Intitulado A Fé como Pressuposto para uma Existência Autêntica, nele buscaremos compreender a natureza da fé, bem como os elementos que a constituem, a saber o desespero, o pecado e a renúncia, para assim passar para um segundo problema que é o da fé como salto além do ético, onde nos esforçaremos para entender de que modo ela representa essa superação da ética e da moral e o que isso significa. Em seguida, nos deteremos com o problema do encontro do Indivíduo com a singularidade de Deus, que no entender de Kierkegaard, constitui a forma verdadeiramente autêntica da existência finita. E para fechar, apontaremos para o fato de que o existir apenas tem algum sentido quando nele está a presença divina.
Sabemos que a realidade em que vivemos é de total relativização da verdade, onde prevalece sempre a opinião particular dos indivíduos em detrimento dos valores absolutos. Sabemos também, que a moral e a ética estão cada vez mais em desuso, provavelmente consequência do secularismo em que estamos imersos. Desse modo, discutir sobre a fé como condição para um existir autêntico, neste contexto apresentado, é de fundamental importância, no sentido que contribuirá para uma reflexão mais profunda acerca do sentido da vida, e das implicações éticas e morais que são consequências de uma existência autêntica, alicerçada na fé e no cumprimento da vontade Deus.
No âmbito acadêmico, mesmo se tratando de um pensamento exclusivamente cristão, poderá contribuir e muito, visto que seus escritos revelam teorias que vão além do que já foi apresentado e demonstram um conhecimento impressionante sobre o homem, o mundo e Deus.
Convidamos você leitor a se aventurar nessa ousada tarefa de compreender o sentido da vida, bem como o que a torna autêntica, de modo a fazer parte do infinito número de pessoas que no decorrer de sua existência se depararam com esses questionamentos e que empreenderam grande esforço para superá-las. Fazemos votos de que nossa pesquisa contribua significativamente e sirva de motivação para uma intensa e ampla jornada onde só quem ganha é você, pois o conhecimento nunca é demais.

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