Filosofia Contemporânea

RESSONÂNCIAS FILOSÓFICAS: XXII SIMPÓSIO DE FILOSOFIA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

  • Autor(es): Célia Machado Benvenho et al.;
  • Ano: 2018
  • ISBN: 978-85-92670-71-9
  • Edição: 1
  • Páginas: 332
  • Sumário: Download
Gratuito

Sinopse

Este livro reúne os trabalhos escritos provenientes das Conferências e Minicursos apresentados no XXII Simpósio de Filosofia Moderna e Contemporânea da UNIOESTE, realizado entre 06 e 10 de novembro de 2017, no campus de Toledo-PR. Diferentes conferencistas discorreram sobre temas de História da Filosofia e da Ciência, Metafísica, Fenomenologia, Estética, Filosofia Política, Ética, Ensino de Filosofia e outras áreas de conhecimento. Trata-se de relevante apanhado do muito que se fez no Simpósio, oferecido, agora, ao público sob a forma escrita, que permite o estudo e a meditação mais demorados, próprios ao pensamento filosófico.
O livro foi dividido em duas partes. Na primeira parte foram reunidos os textos referentes às conferências apresentadas durante o Simpósio, num total de 9 capítulos e, na segunda parte, temos os textos referentes aos minicursos que ocorreram durante o evento, num total de 4 capítulos.
O primeiro capítulo, entitulado como ?A apropriação do pensamento de Heidegger pela Daseinsanálise?, é de autoria da professora Ana Maria Lopez Calvo de Feijoo, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que se propõe a investigar o modo como a psiquiatria e a psicoterapia se apropriam do pensamento de Heidegger e até que ponto essa interlocução se mantém afinada com a proposta de Heidegger sobre a existência e o seu caráter de incontornabilidade. Para poder esclarecer as questões propostas, a autora trabalha algumas concepções que se apresentam mais intensamente discutidas no interior das daseinsanálises: ser-aí e ser-no-mundo; próprio e impróprio; restrição e liberdade e, por fim, cuidado.
O professor Flamarion Tavares Leite, da Universidade de João Pessoa (UNIPÊ), Pernambuco, examina no segundo capítulo ?A Filosofia do Direito e o formalismo ético Kantiano? como as concepções de Kant acerca do Direito Político e do Direito Penal, que constituem importante núcleo da sua Filosofia do Direito, estão determinadas pelas premissas do seu formalismo ético, consubstanciado no fato de que é a mera forma da nossa lei moral o que nos determina moralmente, conforme estatui o imperativo categórico: ?Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal? (KANT, 2009b, Ak 421). Flamarion destaca que, para Kant, uma ação tem pleno valor moral apenas quando é realizada por dever, sem estar ligada a inclinações ou intenções egoístas. ?O dever é ação necessária por respeito à lei moral?. Esta é a essência do formalismo, característico da filosofia moral de Kant que, por isso, pode ser qualificada como ética formal.
No terceiro capítulo Renato Kirchner trabalha ?A elaboração heideggeriana do conceito de tempo entre 1915 e 1927". O autor busca evidenciar as ideias condutoras da elaboração heideggeriana do conceito de tempo a partir de dois textos do filósofo: ?O conceito de tempo na ciência histórica?, título da aula de habilitação proferida por Heidegger em Friburgo, em 1915, e ?O conceito de tempo?, conferência proferida em 1924, em Malburgo. Segundo o autor, é possível identificar desde as primeiras investigações fenomenológicas do filósofo uma compreensão ontológica do tempo, as quais culminariam nas análises fenomenológicas apresentadas em sua obra Ser e tempo, de 1927.
O professor Gonzalo Aguirre, da Universidade de Buenos Aires, Argentina, trabalha a temática "La cesta de Saturno: de la ética del tributo a la política del impuesto" no quarto e quintos capítulos, sendo que no quinto apresentamos a versão traduzida pela professora Ester Maria Dreher Heuser "A CESTA DE SATURNO: da ética do tributo à política do imposto". Gonzalo compartilha conosco as hipóteses e os resultados provisórios de sua investigação sobre o campo impositivo fiscal, especificamente das atuais reformas tributárias que tem lugar ou se preparam na Argentina e no mundo para enfrentar o desafio do comércio eletrônico virtual informacional. O autor procura reenfocar as questões dos impostos, pondo em marcha uma história-filosófica da tributação que possa reconhecer a especificidade do fisco dos Estados-Nação de Direito modernos.
Os capítulos sexto e sétimo trazem os textos do professor Jacinto Rivera de Rosales Chacon, em sua versão original ?Mundo y lenguaje. Sobre la certeza sensible en la Fenomenología del Espíritu de Hegel?, e na versão traduzida pelo professor Luciano Carlos Utteich, da Unioeste ?Mundo e linguagem. Sobre a certeza sensível na Fenomenologia do Espírito de Hegel?. O professor apresenta a Fenomenologia do Espírito como uma espécie de ?romance de formação? (Bildungsroman) da consciência reflexiva em direção ao ser absoluto. Neste processo de desenvolvimento, a linguagem (conceito) e o mundo sensível são dois elementos diferentes e complementares na compreensão da realidade. A aparição da linguagem, como ato criativo do Espírito, modifica radicalmente a relação da consciência com o mundo, oferecendo a base material para a reflexão e seus conceitos. A linguagem está presente, mas não substitui o sensível; elabora-o para a consciência, interpreta-o para sua orientação na realidade.
Com os capítulos oito e nove encerramos a primeira parte do livro, trazendo os textos da professora Emanuela Scribano, da Universidade de Vezeza (UNIVE), Itália, em sua versão original ?SPINOZA: i miracoli, l?origine della religione e il finalismo?, e a tradução feita pelo professor Stefano Busellato ?ESPINOSA: os milagres, a origem da religião e o finalismo?. Scribano faz um profundo trabalho de análise dos conceitos de milagre, origem das religiões e finalismo no Tratado Teórico Político e na Ética de Espinosa. Enquanto o Tratado, o finalismo surge com o propósito de privilegiar um grupo humano sobre outros, na Ética esse uso do preconceito finalístico se instala após o seu surgimento e, portanto, não é causa. Ademais, na Ética, a crença em milagres aparece fugazmente como consequência da mesma ignorância das causas que gerou o finalismo, contribuindo para reforçá-lo e difundi-lo. A hipótese defendida por Scribano é que, na passagem entre o Tratado Teórico Político e a Ética, Espinosa estava convencido da possibilidade de inserir a origem da religião não filosófica entre as múltiplas consequências de um único erro de fundo, em virtude de algum tipo de princípio de economia na gênese dos erros. Com semelhante técnica, na Ética, a origem da crença na existência de ?um ou mais deuses? é atribuída a uma visão de mundo inteiramente dominada pelo finalismo antropocêntrico, enriquecendo o quadro da origem da religião presente no Tratado Teórico Político. A crença em um ou mais deuses semelhantes ao homem tem a mesma origem da teoria segundo a qual as propriedades das coisas são semelhantes às percepções que as coisas mesmas produzem no sujeito. No Apêndice à Primeira Parte da Ética, Espinosa reconduz ao finalismo antropocêntrico não apenas todas as formas de religião, mas também todas as teorias que atribuem ao mundo externo características semelhantes àquelas percebidas.
A segunda parte do livro refere-se aos textos produzidos a partir dos minicursos proferidos durante o evento. Como primeiro capítulo temos o texto ?Aspectos da dialética de Karl Marx?, do minicurso proferido pelo professor André Cressoni, da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Como segundo capítulo temos o texto de Bruno Gonçalves da Paixão, da Unioeste, cujo título é: ?GYÖRGY LUKACS: aspectos introdutórios a uma ontologia materialista?; o terceiro e o quarto capítulo trazem os textos do minicurso proferido pelo professor Jacinto Rivera de Rosales Chacon, em sua versão original ?Seminario sobre La Analítica dos Princípios? e na versão traduzida pelo professor Luciano Carlos Utteich, da Unioeste ?Seminário sobre a Analítica dos Princípios?.
O Simpósio de Filosofia Moderna e Contemporânea da UNIOESTE de 2017 foi a vigésima segunda edição consecutiva do evento, promovido pelos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Filosofia de nossa universidade. Esta regularidade do evento, somada ao contínuo crescimento em quantidade e qualidade, mostra a força do trabalho em equipe, que envolve professores, estudantes e técnicos da instituição. Tivemos, em 2017, mais de trezentos e cinquenta participantes inscritos, com expressiva participação de público em todas as atividades oferecidas; recebemos conferencistas da Itália, da Espanha e da Argentina, além de nomes significativos da filosofia do Brasil; sete conferências e três minicursos simultâneos foram apresentados; ocorreram 120 comunicações (nas várias áreas de pesquisa filosófica e das ciências humanas) e apresentamos diversificada agenda cultural, incluindo lançamentos de livros. A comunidade do município se fez presença marcante, tanto na plateia quanto no auxílio ao financiamento e manutenção do evento. Prova-se, assim, que o trabalho sólido é sempre possível, se instituições e comunidade solidariamente se empenham.
Ao longo desses 22 anos, a participação de estudantes e pesquisadores tem se mantido significativa; tanto de universidades do Estado do Paraná, tais como UEL, UEM, PUCPR, UNICENTRO, UENP, UEPG, UNICESUMAR, UEPG, UNIPAR, FAG, UFPR, UNILA, UNESPAR, IFPR, UTFPR, quanto de outros estados brasileiros, dentre as quais podemos citar a PUCRS, UNISINOS, UFRGS, UNIFRA, UFSM, UPF, UFSC, UFFS, UESC, UNICAMP, UFABC, UNESP, USP, PUCSP, UFRJ, UERJ, UFF, UFMG, UFOP, UFSCAR, UFBA, UNB, UFU, UFC, UFPE, UFAL, etc. O mesmo tem ocorrido com jovens professores e pesquisadores, muitos deles ainda estudantes em programas de Mestrado e Doutorado de vários Estados, além, evidentemente, dos palestrantes de renome nacional e internacional que prestigiaram nossos eventos com suas conferências, provindos principalmente dos seguintes países e instituições: Lisboa, Udelar/Uruguay, Asheville/EUA, Duisburg-Essen/Alemanha, Évora/Portugal, Univ. Valladolid/Espanha, UBA/Argentina, Univ. Tel Aviv, UCA/Argentina, UMSB/Venezuela, Sorbonne/Paris, Unsam/Argentina, Lille/França, Universidade de Urbino/Itália, Coimbra/Portugal, Piza/Itália, entre outras.
É sensível a influência do SIMPÓSIO DE FILOSOFIA da UNIOESTE sobre os acadêmicos de Filosofia e sobre seu interesse na pesquisa e na atividade filosófica, no estado e em âmbito nacional. A convivência com outros acadêmicos e docentes tem servido de incentivo em diversas áreas. É, portanto, um evento integrado e vinculado às várias atividades filosóficas, tais como pesquisas, ciclos de palestras, grupos de pesquisa cadastrados no CNPq e na Fundação Araucária, grupos de estudos, seminários, Grupo Pet-Filosofia, Grupo PIBID-Filosofia, cursos de especialização e outras atividades afins; é expressão do trabalho e do desempenho de seus docentes, em nível interno e externo.
Por fim, esta tradição de ser um evento de qualidade e em sua vigésima segunda edição não seria possível sem o apoio financeiro das agências de fomento: Fundação Fausto Castilho, Fundação Araucária, Reitoria e Pró-Reitoria de Extensão da UNIOESTE (PROEX) e PPGFIL/Unioeste (Programa de Pós-Graduação em Filosofia). Sem esse aporte, a participação dos renomados convidados do exterior e de professores brasileiros que sempre abrilhantaram as edições anteriores estaria inviabilizada. Nossa gratidão a todos os mencionados, direta e indiretamente, fica registrada aqui, junto ao convite para que as próximas edições continuem mostrando nosso compromisso brasileiro, paranaense e toledense com a difusão pública da pesquisa, do ensino e da extensão em Filosofia.

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